Publicado por: Guilherme Gandini | 17/10/2011

Velha Infância

Exclusivo no BLOG:

VELHA INFÂNCIA

Algumas lembranças teimam em sair de nossa mente. Mesmo aquelas que nem entendemos como ainda podem estar lá dentro, de tão distantes que os fatos estão do momento presente. Um brinquedo da infância, um puxão-de-orelha, uma vergonha, uma decepção, uma conquista…

O tempo continua passando e logo a adolescência também se torna passado, bem ou mal passada. Forçando a mente, você logo lembra da paquera frustrada numa festinha de amigos, da conquista, do primeiro beijo roubado, do primeiro beijo sincero, do namoro no banco da praça.

Também é nessa fase que surgem muitos amigos. Alguns, poucos, amigos verdadeiros, que percorrerão anos ao seu lado, mesmo que distantes. Outros – os mais comuns – são apenas passageiros. Movidos pela diversão daquele momento presente, pela vida despreocupada.

Mas, como dizem, tudo o que é bom dura pouco. Vai-se a infância, a adolescência efervescente e vem a vida adulta. E pensar que, lá atrás, tanto lhe perguntaram “O que você quer ser quando crescer?”, e você só dizia querer ser “gente grande”, por não saber o que queria da vida…

Aí na tal vida adulta, o destino, traçado desde o início, na minha visão, nos prega suas peças. O que era para ser fácil, torna-se complexo, o que era para ser só mais uma etapa, torna-se um aprendizado, uma superação. E você, que mal sabia o que queria da vida, finalmente cresce.

E está aí a beleza da vida. É sua chance de repensar o que fez até aqui, reavaliar as trilhas que escolheu para si, as decisões que tomou por si e para os outros, os planos que traçou para o dia de amanhã. Aí, há quem acorde uma manhã, jogue tudo para o alto e queira uma vida nova.

Porém, há também quem olhe para o espelho e repita para si mesmo que, se pudesse, faria tudo de novo. Desde sua “velha infância”, até os dias de hoje, aprendendo tudo de novo, passando pelos mesmos percalços, comemorando as mesmas conquistas e celebrando com as mesmas pessoas.

Publicado por: Guilherme Gandini | 23/07/2011

Você Acredita em Destino?

Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:

VOCÊ ACREDITA EM DESTINO?

Verão de 1995. Estávamos de férias no colégio e, diferente do que fazia meu irmão– que adorava correr pelas ruas e soltar pipa – eu aproveitava esta época para ler. Tínhamos uma pequena biblioteca em casa. Meu pai sempre destacou que, no passado, ampliou seu acervo ao assinar o Círculo do Livro.

Colhi alguns livros da estante e passei a ler. Uma coleção de Monteiro Lobato, com 16 volumes, foi o início. Depois, entretive-me com “Os Sonhos Morrem Primeiro”, de Harold Robbins, e obras de terror e suspense. Apaixonei-me pelos livros. Aliás, eram duas paixões: literatura e informática.

Não sei o motivo daquela pretensão, mas era um ideal. Só refleti sobre o assunto na metade do terceiro colegial. A professora de redação parou-me na porta da sala e questionou-me sobre minha opção. “Você tem certeza que quer isso para o seu futuro?”. Acho que ela sabia de algo que eu não sabia.

Há coisas na vida que parecemos não querer enxergar. Lembro que, na 4ª série, participei de um concurso de redação e ganhei o primeiro prêmio.

Mas, na hora de prestar vestibular, surgiu o dilema. Faria Ciências da Computação, mesmo sem dom? Naquela época, não me preocupava em fazer cálculos ou pensar em questões físico-químicas, mas sim em ler e reler o conteúdo de geografia e história, bem como apreciar boas obras literárias.

Mesmo decidido a cursar computação, ao ler o Guia do Estudante que, em uma pequena nota, na página sobre Jornalismo, encontrei uma justificativa para enganar minha consciência e seguir para o caminho que me daria prazer em trilhar. Há coisas na vida que, realmente, parecemos não querer enxergar.

Ao cursar Jornalismo na Unesp, distanciei-me das idéias tecnológicas. Às vezes penso: como aquela professora sabia tanto sobre mim? A verdade é que lá apenas aquela “misteriosa” professora e meu “eu” interior sabiam qual meu verdadeiro dom e paixão. Hoje, sem dúvida, sei que fiz a escolha certa.

Publicado por: Guilherme Gandini | 16/07/2011

Fale ou Cale-se para Sempre

Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:

FALE OU CALE-SE PARA SEMPRE

Engraçado como são as coisas. Este texto certamente será lido por mais pessoas do que o do último sábado. O motivo? O anterior foi lido, relido, reproduzido por outros veículos, exaltado pelo próprio BOM DIA e, nas entrelinhas, até pelos concorrentes. Naturalmente, isso atrai curiosos.

Daí surge aquela expectativa: o que será que vem depois? O próximo será melhor que o anterior? Quem será o lobo mau da próxima vez? Enfim, bobagens como essas podem ter pipocado em muitas mentes inquietas. Em especial nas daqueles que ficam doidos por uma polêmica a mais…

Sem dar nomes aos “bois” – sem aqui fazer qualquer referência, só para deixar claro –, devo ter alardeado mil e uma especulações. Quem seria a chapeuzinho vermelho? E o tal lobo mau? Também há a vovozinha? Poxa vida, será que eles também vivem na cidade das cabeças pequenas?

O melhor desta história toda é que a liberdade de expressão continua em alta. Publiquei minha opinião, ainda que ao estilo das fábulas, mas de forma até que bastante clara. A partir disso, muitos opinaram livremente sobre o texto, o tema, os seres imaginários e, também, sobre mim.

Quem poderia pensar em resultado melhor? Um único texto, que de modo tímido denunciava um lobo mau todo interessado em aparecer na mídia, saiu-se melhor que o próprio canídeo e ganhou o direito de ser reproduzido em outras mídias e meios. Sorte de principiante, talvez.

A verdade é que é preciso abrir os olhos dos outros. Falar ou calar-se para sempre. Um leitor ligou, elogiou e confessou: essa estória também serviu para mim. Deve ter servido para muita gente de Catanduva, da região, da cidade das cabeças pequenas e outros locais mais. Sim, fiz bem em falar.

Publicado por: Guilherme Gandini | 09/07/2011

Quem tem Medo do Lobo Mau?

Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:

QUEM TEM MEDO DO LOBO MAU?

A chapeuzinho vermelho estava caminhando pela floresta quando apareceu o lobo mau e ameaçou seqüestrá-la – porque comer, hoje, já não está mais na moda. Mas, só ficou na ameaça. Então, a chapeuzinho continuar a caminhar pela floresta quando o lobo apareceu de novo. Esbravejou, mas, só ameaçou.

Já irritada, a chapeuzinho percebeu logo que o lobo não era de nada.. Ele mais queria publicidade do que fazer de fato aquilo a que se propunha. Queria mostrar para todo mundo – se é que havia alguém mais no meio da floresta – que era malvado. E a menina seguiu seu caminho, corajosa.

Na política, ainda hoje, percebemos que também é assim. O político mau arranja qualquer motivo para aparecer na mídia e para mostrar aos seus eleitores que ele está ali, onde sempre esteve, ainda que não tenha feito nada relevante para tanto. Esbraveja, quando quer. Mas, não faz nada além disso.

É um jeito “politicamente correto” para perpetuar-se no poder e mostrar para todo o seu curral eleitoral que está atento aos fatos, às notícias, fiscalizando, cumprindo seu papel de agente político. Ainda que, na realidade, tudo isso não passe de um teatro e fique só na ameaça. No fingir que faz, mas não faz.

Se o político mau se propõe a fazer uma importante investigação sigilosa, todo seu público aplaude. Curiosamente, na primeira descoberta, ele corre para o foco da luz e conta para todos o que conseguiu desvendar. E, perdão pela palavra, dane-se o sigilo de toda a história. E o pior: ainda ganha aplausos.

A investigação continua sendo importante – sua descoberta, na maioria das vezes, também –, mas fica evidente que seu interesse é outro. Talvez mostrar que é uma ameaça seja mais relevante. Muitas vezes, a idéia talvez seja colocar medo na chapeuzinho. Pura coisa de criança. E de alguns políticos.

Publicado por: Guilherme Gandini | 25/06/2011

Pequenos Heróis

Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:

PEQUENOS HERÓIS

Eles têm olhos imensos, daqueles que nos consomem quando as luzes se apagam. Crianças e jovens que vivem em abrigos e nas ruas costumam ter o sorriso tímido – e ao mesmo tempo agressivo – daqueles que já sentiram muito medo.

Vítimas do abandono, eles são a mistura ideal de fragilidade e coragem que encantou autores de todos os lugares e épocas. A infância e a juventude são o terreno maravilhoso onde a imaginação pode nos resgatar.

Nos livros e nas telas, torcemos pelos pequenos heróis. Seja pelo senso de justiça do feiticeiro Harry Potter, pela liberdade de Huckleberry Finn ou pela pureza do Pequeno Príncipe, nós sempre nos emocionamos.

Na televisão, o abandono é tema certo nas novelas. O desencontro, as injustiças. As minisséries de época retratam o drama das “rodas dos expostos” (onde os bebês eram deixados na calada da noite); as mais atuais, a violência doméstica.

Porém, no “mundo real” estes jovens heróis precisam de uma “força real” para sobreviver às “aventuras” do cotidiano.

Quase sempre, a realidade é bem mais dramática que a ficção. Todos os dias, muitas crianças e adolescentes têm seus direitos violados no Brasil. Toda vez que o Fórum recebe uma denúncia, eles são encaminhados para um abrigo.

E surge, nos abrigos, o sonho de ter uma nova família através da adoção. E é aí que você, amigo leitor, pode fazer parte desta história. A nova cultura da adoção pode ajudá-lo a construir um final feliz de verdade. Sem mitos, sem preconceitos.

Com trechos da grande reportagem “Adoção: Realidade Encoberta”, de 2006, produzida por mim e mais três jornalistas – Danielle Castro, Lígia Sotratti e Luis Fabiano Lopes –, voto pela adoção. E pelos olhos imensos, cheios de luz.

Publicado por: Guilherme Gandini | 18/06/2011

Liberdade Ainda que Tardia

Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:

LIBERDADE AINDA QUE TARDIA

Abri minha série de textos no Bom Dia exaltando a liberdade em todos os seus aspectos. “Liberdade, não só de expressão ou de imprensa, em seu sentido mais puro, dispensa qualquer definição”, afirmei.

Esta semana, o tema voltou à tona com a discussão que envolveu a “Marcha da Maconha”, vista como “Marcha da Liberdade”, ação tida como expressão concreta do exercício legítimo da liberdade.

Em várias capitais do país, as manifestações a favor da luta pela descriminalização do entorpecente, vetadas pela Justiça, ganharam novo tom e tornaram-se protestos a favor da liberdade de expressão.

Entre os motivos alegados para a marcha, um chama a atenção: “marchamos porque lutamos pela liberdade de expressão, de organização, de manifestação, pelas liberdades individuais”. O texto vai além: “Porque quando se fala em liberdade não se pode falar em migalhas”. É um tapa na cara de quem veta a liberdade.

A descriminalização da maconha pode até não ocorrer – e não é esta a discussão aqui – mas impedir a expressão do pensamento de um grupo é, no mínimo, um retrocesso e um flashback da ditadura.

Aliás, o tema censura também ressurgiu em meio aos movimentos. “Podem censurar minha boca, mas não o pensamento” era o texto visto em cartaz agitado por um dos manifestantes, em São Paulo.

Justificar que a manifestação é uma apologia à droga e ao crime também é tirar o foco da verdadeira discussão. A marcha não exalta benefícios do entorpecente, mas sim de sua descriminalização. Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela legalidade da realização de manifestos em prol da descriminalização de drogas. Com o veredicto, a Marcha da Maconha está enfim “livre”.

Parafraseando meu texto original… a liberdade é o tipo de palavra que ninguém sabe ao certo descrever, mas que, ao senti-la, de forma concreta, todos sabem sua importância e o que ela significa: tudo.

Publicado por: Guilherme Gandini | 11/06/2011

Quem Precisa de Amigos…

Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:

QUEM PRECISA DE AMIGOS…

Dizem que amizades verdadeiras não terminam nunca. Não sou de ter “melhores amigos”. Mas escrevo este texto para quem os têm. A inspiração? Foi em um bate-papo recente com queridos amigos… Não abordo esse tema em tom de lamento, ou por alguma vivência recente. Talvez a amizade verdadeira, hoje, seja prejudicada pela correria da “vida moderna” – como dizem -, distância e afazeres.

Se a tal amizade verdadeira realmente existir, penso que sempre haverá um bom motivo para justificar a distância, sejam escolhas ou oportunidades que surgem. Ainda que relutante, o amigo será fiel. Em muitos casos, apesar da tristeza, haverá ainda o orgulho pelas conquistas ou pelo sonho alcançado por um “velho amigo”.

Essa sensação mista felicidade-tristeza é essência do ser humano. É o que motiva e dá forças para superarmos barreiras e, principalmente, as perdas ao longo da vida – isso inclui, já que este texto trata exatamente deste tema, as pretendidas amizades. Acredito que a tal felicidade pela conquista do amigo seja o principal símbolo da verdadeira amizade. Se diferente disso, só perdemos um colega ou conhecido, e nada mais. Ser amigo é torcer pelo outro.

Ainda que sem “melhores amigos”, torço pelos meus amigos mais próximos. Com eles convivo e por eles colaria minhas mãos no fogo. Mas hoje sei, na vida, até as amizades podem ser passageiras… Para quem acredita que as amizades verdadeiras realmente existam, então imagino que elas são envoltas de outros sentimentos maiores. Entre eles, talvez, a esperança de que a amizade não termine jamais.

Publicado por: Guilherme Gandini | 04/06/2011

A Cidade das Cabeças Pequenas II

Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:

A CIDADE DAS CABEÇAS PEQUENAS II

A cidade em que todos tinham a cabeça pequena vocês todos conhecem, amigos leitores. Afinal, falei sobre ela neste mesmo espaço, recentemente. O que vocês não sabem, com certeza, é que aquelas pacíficas terras protegiam um grande segredo.

Contam os mais antigos que ali, só ali, havia uma família de cabeça pequena cuja principal característica era a inveja. E ela, a inveja, passava de geração para geração. A família de cabeça pequena e invejosa não sabia que aquilo era um problema…

Naquela inveja insana, os integrantes daquela estranha família queriam sempre ter o que os outros tinham, comprar o mesmo carro que os outros, usar roupas iguais às das outras pessoas e, principalmente, ganhar mais do que a maioria ganhava.

O merecimento pouco importava. Se o vizinho trabalhava mais e ganhava mais por isso, tanto faz. Se ele era mais capacitado e por isso promovido no serviço, também não importava. O importante, para aquela família, era estar acima de tudo e todos.

Aquela doença fazia com que a pequena família passasse por cima de tudo para ter o que queria. Não importavam leis, regras e nem mesmo o bom senso. Se a idéia era ter o maior salário da cidade, somente porque o vizinho ganhava mais, assim seria…

Um dia, aquela pequena família tornou-se mais poderosa, passou a ditar regras e fazer leis. A cidade das cabeças pequenas, a mesma em que as coisas importantes não eram discutidas, ficou agitada. A família invejosa era, agora, uma ameaça.

Sem bom senso, as cabeças pequenas e invejosas daquela família ignoravam uma regra básica, bem antiga, que não estava escrita em nenhum lugar. Para conquistar algo, era preciso merecê-lo. Passar por cima dos outros, naquelas terras, era crime.

Pacíficos, os cidadãos de cabeças pequenas foram, pouco a pouco, tirando o poder daqueles que não o mereciam. Aquela família voltou para o cantinho de terra que há muito habitava, envolta em sua própria inveja. Deste modo, fez-se justiça…

Publicado por: Guilherme Gandini | 28/05/2011

O Senhor da Razão

Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:

O SENHOR DA RAZÃO

Uma semana de trabalho sacrificado, é muito? E um ano? E onze anos aguardando a prisão daquele que matou sua filha, o que é então? Para o assassino, que estava livre, provavelmente o tempo passou rápido demais. Para a família, que queria justiça, deve ter sido a eternidade.

Em 20 de agosto deste ano, o assassinato de Sandra Gomide, em Ibiúna-SP, completará 11 anos, e só agora Pimenta Neves, condenado pelo crime em 2006, foi realmente para a cadeia – convenhamos, onde já deveria estar há muito tempo. Por “questões jurídicas”, não estava.

Tempo, nos dias de hoje, é algo raro. A vida é corrida, as pessoas não param nem mesmo para um breve bate-papo. Isso é mais acentuado, sobretudo, nas grandes cidades, mas também no interior essa agitação começa a ganhar cada vez mais significado: são os tempos modernos.

A sociedade dispara sobre qualquer cidadão cada vez mais exigências, informações e a busca pelo sucesso e pela tal felicidade, todos os dias, esbarram no tal do tempo. Se há tempo demais, vago, o sujeito está perdendo tempo de vida. Se lhe falta tempo, está trabalhando demais.

Em alguns momentos, os dias tornam-se mais longos do que realmente são e mesmo itens básicos podem ser vistos, por alguns, como regalias. Se falta tempo, em geral, falta saúde, lazer e necessidades que só poderão ser melhor satisfeitas quando, pasmem, sobrar tempo.

Mas, como dizem os mais antigos, o tempo é o senhor da razão. Apaga tristezas e rancores, faz a dor se transformar em uma singela saudade, e pode, também, na situação oposta, alimentar os sentimentos mais perversos – para quem tem “tempo” sobrando, certamente.

Na cadeia, o tempo deve passar bem mais devagar. Talvez, hoje aos 74 anos, não sobre muito tempo para Pimenta Neves desfrutar de sua vida após cumprir pena pelo crime cometido no longínquo ano 2000. Mas, enfim, ele já tirou todo o tempo que Sandra teria de vida…

Publicado por: Guilherme Gandini | 21/05/2011

Juntos Somos Mais Fortes

Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES

Quando você estiver lendo este texto, amigo leitor, estaremos aguardando a terceira e última noite da Festa das Nações deste ano. Para quem não sabe, o evento começou na noite de quinta-feira, no bairro Km 7, e terá encerramento neste sábado.

Aqueles que me acompanham todas as semanas no BOM DIA sabem, mas para você que lê estas reflexões pela primeira vez, esclareço que gosto de temas atuais e, mais do que isso, temas locais, que tocam de alguma forma no dia a dia dos catanduvenses.

Neste caso, o que me chama a atenção, todos os anos, quando transito entre as tendas da Festa das Nações, é a sensação clara de estar num evento solidário. Culinária, solidariedade, cultura e diversão se misturam em três noites que merecem elogios.

Quando falo em solidariedade, neste caso, refiro-me exatamente ao fato de que uma proposta como essa possa reunir, num mesmo espaço, representantes de 26 entidades que buscam e oferecem auxílio e, o mais importante, que também ajudam umas às outras.

“Umas às outras?”, perguntaria o leitor mais detalhista. Explico: em algumas tendas da festa – cada uma representa uma nacionalidade – há equipes de duas entidades, uma eventualmente mais robusta e outra que ainda busca estabilidade. Juntas, são ainda mais fortes.

É neste clima que a solidariedade se ressalta em todas as suas formas. Movida por seus interesses ou ideais, cada pessoa que cumpre seu papel na Festa das Nações sabe, ao final, que fez uma boa ação. E, pelo que se vê, Catanduva está cheia de boas ações.

O Poder Público dá o pontapé inicial todos os anos, convidando, atraindo, oferecendo a estrutura e divulgando. Mas nada disso seria suficiente sem a dedicação dos seres humanos solidários que temos nesta cidade. Algo que, sem dúvida, dá orgulho de ver.

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