Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:
A CIDADE DAS CABEÇAS PEQUENAS II
A cidade em que todos tinham a cabeça pequena vocês todos conhecem, amigos leitores. Afinal, falei sobre ela neste mesmo espaço, recentemente. O que vocês não sabem, com certeza, é que aquelas pacíficas terras protegiam um grande segredo.
Contam os mais antigos que ali, só ali, havia uma família de cabeça pequena cuja principal característica era a inveja. E ela, a inveja, passava de geração para geração. A família de cabeça pequena e invejosa não sabia que aquilo era um problema…
Naquela inveja insana, os integrantes daquela estranha família queriam sempre ter o que os outros tinham, comprar o mesmo carro que os outros, usar roupas iguais às das outras pessoas e, principalmente, ganhar mais do que a maioria ganhava.
O merecimento pouco importava. Se o vizinho trabalhava mais e ganhava mais por isso, tanto faz. Se ele era mais capacitado e por isso promovido no serviço, também não importava. O importante, para aquela família, era estar acima de tudo e todos.
Aquela doença fazia com que a pequena família passasse por cima de tudo para ter o que queria. Não importavam leis, regras e nem mesmo o bom senso. Se a idéia era ter o maior salário da cidade, somente porque o vizinho ganhava mais, assim seria…
Um dia, aquela pequena família tornou-se mais poderosa, passou a ditar regras e fazer leis. A cidade das cabeças pequenas, a mesma em que as coisas importantes não eram discutidas, ficou agitada. A família invejosa era, agora, uma ameaça.
Sem bom senso, as cabeças pequenas e invejosas daquela família ignoravam uma regra básica, bem antiga, que não estava escrita em nenhum lugar. Para conquistar algo, era preciso merecê-lo. Passar por cima dos outros, naquelas terras, era crime.
Pacíficos, os cidadãos de cabeças pequenas foram, pouco a pouco, tirando o poder daqueles que não o mereciam. Aquela família voltou para o cantinho de terra que há muito habitava, envolta em sua própria inveja. Deste modo, fez-se justiça…