Artigo recente publicado no jornal Bom Dia Catanduva:
LIBERDADE AINDA QUE TARDIA
Abri minha série de textos no Bom Dia exaltando a liberdade em todos os seus aspectos. “Liberdade, não só de expressão ou de imprensa, em seu sentido mais puro, dispensa qualquer definição”, afirmei.
Esta semana, o tema voltou à tona com a discussão que envolveu a “Marcha da Maconha”, vista como “Marcha da Liberdade”, ação tida como expressão concreta do exercício legítimo da liberdade.
Em várias capitais do país, as manifestações a favor da luta pela descriminalização do entorpecente, vetadas pela Justiça, ganharam novo tom e tornaram-se protestos a favor da liberdade de expressão.
Entre os motivos alegados para a marcha, um chama a atenção: “marchamos porque lutamos pela liberdade de expressão, de organização, de manifestação, pelas liberdades individuais”. O texto vai além: “Porque quando se fala em liberdade não se pode falar em migalhas”. É um tapa na cara de quem veta a liberdade.
A descriminalização da maconha pode até não ocorrer – e não é esta a discussão aqui – mas impedir a expressão do pensamento de um grupo é, no mínimo, um retrocesso e um flashback da ditadura.
Aliás, o tema censura também ressurgiu em meio aos movimentos. “Podem censurar minha boca, mas não o pensamento” era o texto visto em cartaz agitado por um dos manifestantes, em São Paulo.
Justificar que a manifestação é uma apologia à droga e ao crime também é tirar o foco da verdadeira discussão. A marcha não exalta benefícios do entorpecente, mas sim de sua descriminalização. Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela legalidade da realização de manifestos em prol da descriminalização de drogas. Com o veredicto, a Marcha da Maconha está enfim “livre”.
Parafraseando meu texto original… a liberdade é o tipo de palavra que ninguém sabe ao certo descrever, mas que, ao senti-la, de forma concreta, todos sabem sua importância e o que ela significa: tudo.