DADOS GERAIS
Emancipação de Catanduva: 14 de abril de 1918
Instalação da Comarca de Catanduva: 7 de fevereiro de 1920
Nome: Caa-tã-dyba, do Tupi Guarani (mato rasteiro, áspero e rústico)
Título: “Cidade Feitiço”, relacionado à hospitalidade dos moradores
Catanduva compreende 292 quilômetros quadrados de área, com população de 112.843 habitantes (Censo IBGE, 2010), PIB de R$ 1.894.156,00 (IBGE, 2007), Índice de Desenvolvimento Humano – IDH-M de 0,833 (PNUD, 2000) e é a 43ª melhor cidade do país segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (2006).
ADMINISTRAÇÃO POLÍTICA
Prefeito: Afonso Macchione Neto (PSDB)
Vice-prefeito: Roberto Cacciari (DEM)
Presidente da Câmara: Daniel Palmeira (PDT)
LOCALIZAÇÃO
Região: Noroeste do Estado de São Paulo
Região Administrativa: São José do Rio Preto (SP)
Distâncias: 385 Km de São Paulo e 850 Km de Brasília
Extensão Territorial: 292 Km² / Altitude: 503 metros
Latitude: 21º 08′ 16” / Longitude: 43º 58′ 22”
ORIGEM
Inicialmente Catanduva foi conhecida por Cerradinho, nome dado devido à localização do vilarejo, que se iniciou numa área de cerrado ralo. Depois, o arraial de Cerradinho foi elevado a Distrito de Paz, com o nome de Vila Adolpho, pela lei nº 1.188 de 16/12/1909, numa homenagem ao Coronel Adolfo, influente político da cidade de São José do Rio Preto, município ao qual a vila pertencia. Com a chegada da Estrada de Ferro em 1910 e o progresso da vila, foi criado o Município de Catanduva, pela lei nº 1564 de 14/11/1917, sendo que a instalação do mesmo ocorreu em 14 de abril de 1918, em solenidade realizada no Clube 7 de Setembro. Em 9 de dezembro de 1919, pela lei nº 1675-E, criava-se a Comarca de Catanduva, que seria instalada em 07/02/1920. O conhecido título “Cidade Feitiço” é relacionado à hospitalidade dos moradores que recebem com muito carinho e atenção todos os visitantes e foi citado pela primeira vez em um jornal da cidade.
SOLO, VEGETAÇÃO, RELEVO, CLIMA E HIDROGRAFIA
Encontramos na região de Catanduva diversos tipos de solos. Há predominância do solo tipo arenito de Bauru. A vegetação predominante nos dias atuais é a de campos cerrados, alternada com capões de matas, que outrora tinham quase o predomínio. As matas ciliares ao longo dos principais rios possuem uma certa evidência. Catanduva está situada no denominado Planalto Ocidental Paulista, que ocupa toda a porção oeste do Estado. O relevo apresenta topografia ondulada, com pequenas oscilações de altitudes, que decaem em direção à oeste (direção da calha do rio Paraná). O clima local é o tropical continental com inverno seco. A temperatura média é de 28 graus. O período de chuvas é entre outubro e fevereiro. Hidrografia: Rio São Domingos, Ribeirão Cubatão, Ribeirão da Onça, Córrego Retirinho, Córrego Barro Preto, Córrego Fundo e Córrego Minguta.
FUNDAÇÃO
Entre as diversas versões sobre a fundação de Catanduva, os historiadores destacam duas. Uma delas afirma que o povoado teria se iniciado quando uma família mineira chamada Figueiredo chegou ao local no final do século XIX, em torno de 1890, onde deu início à primeira lavoura e construiu a primeira casa de telhas no bairro São Francisco. Os Figueiredo teriam recebido as terras como herança da família Moreira, de nacionalidade portuguesa. O bairro São Francisco, por sua vez, é apontado como o primeiro bairro catanduvense, devido a sua proximidade com o Córrego Minguta. Outra versão diz que a cidade teria sido fundada por Antônio Maximiano Rodrigues, mineiro de Conceição do Rio Verde, que teria adquirido terras da região por volta de 1890, fazendo, posteriormente, a doação de alqueires de sua propriedade para a paróquia de São Domingos. Existe ainda uma terceira versão, mais descartada pelos historiadores, que aponta Domingo Borges da Costa, conhecido como Minguta, como fundador.
Pelas datas e nomes nada se resolve. Se de fato Figueiredo herdou essas terras de seus antepassados, não existem documentos que provem isso. Por outro lado, os únicos documentos existentes e conhecidos apontam Maximiano como o verdadeiro possuidor e fundador dessas terras, o que se confirma na transcrição feita em 18 de setembro de 1890 no Cartório de Registro de Imóveis e Anexos da Comarca de Jaboticabal, na qual Maximiano adquiriu, por escritura pública lavrada, 100 alqueires de terra na Fazenda Barra Grande, no termo daquela Comarca e onde hoje se situa Catanduva. Historicamente, sabe-se que Catanduva surgiu em meados dos anos 1850, em terras que pertenciam ao município de Araraquara e que, posteriormente, originaram as cidades de Jaboticabal, Monte Alto e São José do Rio Preto, de onde viria a se desmembrar o município de Catanduva.
OCUPAÇÃO
Os primeiros povoados constituídos em Catanduva teriam sido o São Francisco e o Higienópolis – até então pertencentes à comarca de Jaboticabal -, antes mesmo do surgimento do arraial de Cerradinho. Eram pontos considerados menos alagados, já que a área onde hoje se encontra o Ribeirão São Domingos era um pântano. Casebres de pau-a-pique ou de taipa cobertos de sapé abrigavam os primeiros moradores, os desbravadores. A pobreza era uma constante no cotidiano dos pioneiros. O que se produzia normalmente era trocado por comida trazida pelos mascates em lombos de animais. Ao período histórico de construção, com o final da 1ª Guerra Mundial, somou-se a vinda de imigrantes para a região. Italianos, espanhóis, portugueses, japoneses e árabes se assomaram à construção do município.
Com glebas de terra colocadas à venda, a preços considerados baixos, levando-se em conta as dificuldades para se desbravar as terras, rapidamente as fazendas foram se formando ao redor de Catanduva. Os casarões eram circundados por imensas plantações de café, que por muitos anos foi o principal produto da cidade. O progresso urbano, nesse início da história do município, foi extremamente rápido, prendendo-se ao desenvolvimento econômico da fértil zona rural. O cultivo do café e a penetração ferroviária, de par com a assistência médico-hospitalar e educacional que florescia na cidade, constituíram fatores decisivos para a evolução da área urbana e, conseqüentemente, de Catanduva.
ERA DOS TRENS
A Estrada de Ferro de Araraquara (EFA) foi fundada em 1896 e teve o primeiro trecho aberto ao tráfego em 1898. Em 1912, já com problemas financeiros, a linha-tronco chegou a São José do Rio Preto. Somente em 1933, depois de ser estatizada em 1919, a linha foi prolongada até Mirassol, e em 1941 começou a avançar mais rapidamente, chegando a Presidente Vargas em 1952, seu ponto final à beira do rio Paraná.
Em 1955, completou-se a ampliação da bitola do tronco para 1,60 m, totalmente pronta no início dos anos 60. Em 1971, a empresa foi englobada pela Fepasa.
Os trens de passageiros circularam até março de 2001, quando iam somente até São José do Rio Preto, para logo serem finalmente suprimidos. Por Catanduva passam, hoje, apenas trens de carga integrados à Ferronorte, que faz o escoamento da produção de soja do Mato Grosso para o porto marítimo.
EXPANSÃO ECONÔMICA
A ampliação da fronteira agrícola de Catanduva se deu após a chegada da Estrada de Ferro Araraquarense, em 1910. A partir daí, as terras agriculturáveis foram ocupadas pelo arroz, feijão, milho, pastagens e café. Aos poucos, os cafezais passaram a ser a cultura dominante na maioria das propriedades rurais, até a década de 1950, quando passaram a ser substituídos pelos laranjais e canaviais. Muita resistência por parte dos agricultores marcou o período de queda da produção de café. Essa cultura se destacou por poder ser cultivada pela pequena e grande propriedades, não exigir muita mão-de-obra e por não ser perecível, podendo ser estocada e vendida ao longo do ano. A resistência acabou sendo vencida pelo baixo preço, pelas pragas que infestaram os cafezais e pela queda da qualidade do produto, causada, principalmente, por mudanças climáticas.
No período de 1980 a 1990, a laranja viveu seu grande momento no município. Incentivados pela indústria de sucos, que investia na produção, os agricultores tomaram coragem para substituir de vez os cafezais pela laranja. No entanto, no final da década de 90, o alto custo da produção e a baixa produtividade, além do “amarelinho”, praga que dizimou os pomares, tornaram inviável o cultivo da laranja. Paralelamente, o assédio dos produtores de açúcar e álcool, oferecendo vantagens irrecusáveis em troca do arrendamento de terras para o cultivo da cana-de-açúcar, reduziu ainda mais a área destinada ao cultivo da laranja. Assim, seguiu-se a expansão da cultura canavieira. A cana começou a ser cultivada em Catanduva na década de 50. Hoje, a região de Catanduva é a quarta maior região sucroalcooleira do Estado, sendo esta sua principal fonte de riquezas.
PRIMEIROS VINTE ANOS (Luiz Roberto Benatti)
Ernesto Ramalho traçou no mapa o arruamento inicial da cidade em cima da mesa de trabalho, xícara de café ao lado dos papéis. A partir da Estação Ferroviária, morro acima, riscou o braço maior da cruz de Cristo (Rua Brasil); cem metros abaixo, riscou o braço menor (o antigo Parque das Américas: como são três, ele desenhou três seções ocupadas por imenso jardim).
Os veículos subiam a rua Brasil, porque esse era o percurso lógico de uma cidade em crescimento, como a espinha dorsal da criança ao alongar-se rumo à adolescência
A rua fronteira à estrada de ferro ele chamou de Rio de Janeiro, capital da República por 60 anos. A paralela ascendente foi chamada de São Paulo, o nosso Estado. Visionário, deu-se conta da expansão da futura cidade. Traçou-lhe as radiais: 7 de Setembro e 15 de Novembro.
A República de 89 instalou-se em Catanduva em 1918 com Ramalho: 13 de Maio, 24 de Fevereiro, 21 de Abril, 3 de Maio. Civilista, brincou com linhas gregas, cruzamentos e entrecruzamentos, Estado e capital: Pará / Belém, Amazonas / Manaus, Rio Grande do Norte / Natal, Paraná / Curitiba, Santa Catarina/Florianópolis. Catanduva virou um Atlas sociopolítico de escala diminuída.
Catanduva ergueu-se da prancheta pelas mãos de Ramalho. Ele desenhou nossa topografia urbana 60 anos antes de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, em Brasília.
PERSONAGEM
Catanduva, em seus 92 anos de história, tem Monsenhor Albino Alves da Cunha e Silva como sua principal personagem. Nascido em 21 de setembro de 1882, em Portugal, Padre Albino chegou a Catanduva em 26 de abril de 1918, após ter sido condenado à prisão na África e, por isso, ter fugido de sua terra rumo ao Brasil.
Fiel aos seus princípios religiosos, Padre Albino fundou a Igreja Matriz de Catanduva, em 1919, e a Santa Casa de Misericórdia, atual Hospital Padre Albino, em 1926. Extremamente dedicado e empreendedor, deu continuidade às suas realizações inaugurando o Lar dos Velhos, atual Recanto Monsenhor Albino, em 1929.
Visionário como poucos, Padre Albino deu início, a partir de 1969, à estruturação da área de ensino com a fundação da Faculdade de Medicina, um de seus sonhos. Na sequência vieram o Colégio Comercial de Catanduva, a Faculdade de Administração de Empresas e a Escola Superior de Educação Física e Desportos.
Aos 91 anos, o coração de Monsenhor Albino começou a dar sinais de exaustão e sua saúde foi aos poucos enfraquecendo. Sua morte ocorreu em 19 de setembro de 1973. A Fundação Padre Albino, também criada por ele, em 1968, para ser a mantenedora das escolas e hospitais, mantém vivo seu legado de dedicação e amor por Catanduva, e a memória de seu patrono.
Mais recentemente, às escolas de Medicina, Administração e Educação Física, fundadas por Monsenhor Albino, juntaram-se as faculdades de Direito e Enfermagem, passando todas a compor as Faculdades Integradas Padre Albino.
CAPITAL DOS VENTILADORES
Grande destaque da indústria catanduvense é a produção e o comércio de ventiladores, o que tornou Catanduva conhecida como a “capital nacional dos ventiladores”. As fábricas da cidade são responsáveis por cerca 90% da produção nacional de ventiladores e empregam 60% da mão-de-obra ocupada na indústria no município. Em quatro grandes indústrias de ventiladores, trabalham 2,8 mil metalúrgicos. Em 2006, a cidade colocou no mercado 2,5 milhões de ventiladores de parede e de teto. (Monitor Mercantil, 2006)
MODERNIDADE
Tendo grande parte de seu PIB ligado à agroindústria, Catanduva é hoje um pólo microrregional, com movimentados setores de serviços, comércio e indústria. O município se destaca como a “Capital do Ventilador”, chegando a atingir 90% da produção nacional, sendo que este setor industrial abrange a produção de eletrodomésticos e se constitui em pólo exportador de diversos produtos.
O setor alimentício ocupa importante espaço na industrialização e exportação de produtos, destacando-se o desempenho da Cocam Café Solúvel e Derivados, uma das maiores produtoras de café solúvel no Brasil, a única a descafeinar o café verde no país, e grande exportadora, tendo seu produto apreciado em mais de 30 países. O mesmo ocorre com o açúcar produzido pelas usinas e exportado para vários países, contribuindo para alavancar os números da exportação.
Atualmente Catanduva passa por importante reestruturação ambiental, educacional e também em seus distritos industriais, fatos que permitem vislumbrar, num futuro imediato, um cenário de franca aceleração do desenvolvimento econômico.